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sábado, 31 de janeiro de 2009

O cancão o observado da caatinga

A foto

Nesta fotografia podemos ver um cancão em posicão de observação na caatinga. A fotografia foi obtida em uma área de caatinga nativa da Estacão Experimental da Embrapa Semiárido em Petrolina, PE.

O fato

 O cancão é uma ave da ordem Ciconiiformes, família Falconidae, pertencente ao gênero Daptrius. Na caatinga do Nordeste, o cancão é o principal observador de tudo que acontece, nada passa despercebido deste pássaro. Quando alguma coisa estranha ocorre, o cancão é o primeiro que da o sinal e chama atenção dos demais animais. É onívoro. O cancão alimenta-se de quase tudo que encontra na caatinga, más da preferência a ovos de outros pássaros e larvas de insetos encontradas em ocos e em baixo das folhas que caem ao chão. Na caatinga, este pássaro é o principal consumidor dos frutos das cactáceas, tais como, mandacaru, xiquexique e facheiro. O cancão também conhecido como a gralha da caatinga, pela semelhança com a gralha que dispersa sementes de pinheiros na região Sul do Brasil. O cancão normalmente vive em bandos de 3 a 5 pássaros.

O camaleão consumindo frutos do imbuzeiro


A foto

Nesta foto, podemos observar um camaleão próximo aos frutos maduros do imbuzeiro. A fotografia foi obtida na área de caatinga na Estação Experimental da Caatinga na Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE em janeiro de 2007.

O fato

O imbuzeiro é uma das plantas da caatinga que tem muita importância na alimentação de muitos animais silvestres no período da safra.  O fruto do imbuzeiro é consumido pelos animais nos mais diferentes estádios de maturação, principalmente quando estão maduros ao chão. Quando os frutos maduros caem ao chão e atingem a maturação plena, muitas larvas se desenvolvem nele. Essas larvas são alimentos para muitos animais. Nesta foto podemos ver um camaleão consumindo frutos do imbuzeiro. De hábitos diurnos, o camaleão costuma ao amanhecer fica exposto ao sol para caçar todo o tipo de insetos, como gafanhotos e outros artrópodes. O Camaleão se alimenta de grandes quantidades de folhas verdes, e de frutos. Ingere também larvas e insetos. Habita do México ao Brasil Central. Aqui, vive na Floresta Amazônica, nas matas de galeria dos cerrados e nas caatingas.

A batata do mamãozinho-de-veado na caatinga


A foto


Nesta foto, podemos observar os caprinos consumindo a batata de uma planta de mamãozinho-de-veado. A fotografia foi obtida na Estação Experimental da Caatinga na Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE em outubro de 2006.


O fato

Entre as plantas da caatinga, encontra-se o mamãozinho-de-veado (Jacaratia corumbensis O. kuntze). Esta planta é um arbusto que ocorre na região semi-árida do Nordeste, crescendo entre a vegetação como um cipó. Porém quando cresce em local aberto é mais reta. Os frutos são consumidos pelos animais silvestres e domésticos. O xilopódio ou túbera do mamãozinho é utilizado para a alimentação dos animais na seca e, também na fabricação de doce caseiro pelos agricultores. O nome mamãozinho-de-veado foi colocado pelo fato de que na caatinga, quando maduros, seus frutos são consumidos, principalmente pelo veado caatingueiro. Em algumas plantas de mamãozinho pode-se encontrar batatas com mais de 500 kg. Estas batatas são consumidas pelos animais nos períodos de seca na região. Embora seja necessário arrancar a planta para retirar o xilopódio, o mamãozinho produz muitos frutos, dos quais se pode realizar o plantio das sementes.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O cancão e as sementes de imbuzeiro


A foto
Nesta fotografia podemos observar um cancão (cyanocorax cyanopogon) comendo a amêndoa de uma semente de imbuzeiro. A fotografia foi obtida em 10 de fevereiro de 2003 na caatinga de Petrolina, PE.
O fato
A semente do imbuzeiro é uma das mais duras das plantas da caatinga. Poucos animais conseguem consumir estas sementes. Alguns animais, tais como, o cancão, a cutia e ratos silvestres, conseguem quebrar o endocarpo dos caroços de imbu e consumir a amêndoa, deixando as sementes impróprias para multiplicação. O cancão consome até 46 sementes por dia. Este pássaro junta as sementes em um local, de preferência junto a uma pedra ou um pedaço de madeira e prende as sementes com o bico batendo com elas nas pedras ou pedaços de madeira. Assim, eles tem acesso ao embrião das sementes.

O milagre do feijão na caatinga nordestina


A foto
Nesta fotografia podemos observar plantas de feijão com vagens para serem colhidas. A fotografia foi obtida em 27 de janeiro de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.
O fato

As primeiras chuvas do verão no sertão de Pernambuco, ocorreram no dia 1 de dezembro de 2008. Foram registrados 8,8 mm. No dia 2 de dezembro, choveu um total de 65 mm. Com essas chuvas muitos agricultores iniciaram o plantio de milho e feijão. Como são as primeiras chuvas, há um risco muito grande de que o agricultor perca suas sementes. Contudo, para aqueles que acreditaram, as chuvas que ocorreram no dia 24 de dezembro 9,3 mm e em janeiro, sendo 2,9 mm no dia 6, 22,7 mm no dia 22 e no dia 26 de janeiro, ocorreu uma precipitação de 4,7 mm. No total, foram 118,7 mm. O plantio de milho não resistiu ao veranico de janeiro e morreu, porém o feijão já proporcionou colheita no dia 27 deste mês, como podemos ver na fotografia.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O corte da umburana para retirada do mel de abelha na caatinga


A foto
Nesta fotografia podemos observar agricultores cortando uma umburana para retirada de mel de abelha. A fotografia foi obtida em 6 de setembro de 2004 em Petrolina, PE.
O fato
Muitas plantas da caatinga, principalmente a umburana e o imbuzeiro, tem como característica a presença de ocos em seus troncos. Neste ocos, as abelhas fazem suas colmeias e produzem bastaste mel. Contudo, os agricultores cortam as plantas para retirar o mel, que será consumido ou comercializado. Esta atividade tem contribuído de forma negativa para o bioma caatinga. Muitas plantas centenárias são cortadas e morrem depois.

A produção de carvão vegetal na caatinga


A foto
Nesta fotografia podemos observar agricultores preparando um forno ou caieira para produção de carvão vegetal. A fotografia foi obtida em 30 de outubro de 2002 no município de Petrolina, PE.
O fato
Na caatinga as alternativas de renda para os agricultores no período de seca são muito escassas. Neste período, muitos agricultores utilizam a madeira seca para produção de carvão vegetal. Este produto é para o consumo das famílias e para comercialização. O saco de carvão é vendido por até 5 reais, valor muito baixo, se for considerado o trabalho para sua obtenção. Contudo, esta atividade gera renda para os agricultores. Em algumas áreas do sertão de Pernambuco, esta atividade está contribuindo para a devastação da caatinga, visto que, o carvão é produzido em grande escala e vendido para indústrias na capital Recife. A caatinga tem capacidade de suportar a retirada de madeira para as necessidades dos pequenos agricultores, más manter atividade industrial em larga escala é o seu fim.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O consórcio de fruteiras com milho e feijão na caatinga



A foto
Nesta fotografia podemos observar a colheita de acerola em plantas cultivadas na caatinga. A fotografia foi obtida em 31 de março de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.
O fato
No período de chuvas na região semi-árida do Nordeste muitas fruteiras conseguem produzir. No entanto, se não houver uma irrigação suplementar após o período das chuvas, as plantas morrerão. Na fotografia vemos uma área de 900 m² onde são cultivadas 36 fruteiras, acerola, limão, manga, mamão, pinha. Essas fruteiras não recebem irrigação no período das chuvas, que em 2008 foi de janeiro até o final do mês de maio. Após este período as plantas são irrigadas com água de cisterna. O que queremos mostrar nesta fotografia é que os agricultores podem cultivar o milho e o feijão nas entrelinhas das fruteiras e obter bons resultados com a colheita. Nesta área foram produzidos 150 kg de feijão e 128 kg de milho. Após a colheita, a palhada do milho e feijão ficou na área das fruteiras para ser utilizada como cobertura morta, evitando assim, a evaporação da umidade do solo.

Utilização de água de chuva armazenada em cisterna para irrigação por gravidade de fruteiras na caatinga



A foto
Nesta fotografia podemos observar uma cisterna onde a água da chuva é acumulada para irrigação de fruteiras na caatinga. A fotografia foi obtida em 31 de março de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.
O fato
Para utilização da água da cisterna para a irrigação de fruteiras por gravidade, a cisterna deverá esta localizada em uma área acima das fruteiras ou ser utilizada uma pequena caixa auxiliar, para onde a água é bombeada e depois por gravidade é conduzida até os gotejadores localizados próximos as plantas. Quando a área de cultivo esta localizada em um nível abaixo da cisterna não é necessário a caixa auxiliar. O sistema de bombeamento é muito simples, pois é constituído por uma pequena bomba construída com canos de PVC de baixo custo. Em média um agricultor leva de 20 a 30 minutos para bombear até 120 litros de água que são utilizados para irrigação de 36 fruteiras. Essa atividade é realizada as segundas, quartas e sextas-feiras.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A produção de milho e feijão na caatinga


A foto
Nesta fotografia podemos observar um agricultor colhendo feijão. A fotografia foi obtida no dia 8 de abril de 2008 no município de Petrolina, PE.
O fato
Quando ocorre as primeiras chuvas na região semi-árida do Nordeste, os pequenos agricultores iniciam o plantio de milho e feijão. Muitas vezes as chuvas não mantém uma frequência suficiente para o desenvolvimento das culturas e a safra é perdida. Contudo, quando chove normalmente nos meses de fevereiro e março, as culturas de milho e feijão produzem uma boa safra. Na fotografia podemos ver um agricultor colhendo vagens do feijão caupi, esta variedade produz por até 60 dias, quando as chuvas são regulares, contribuindo assim para que os agricultores consigam uma renda extra com a venda do feijão verde ou a garantia de alimentos para o resto do ano.

Utilização da adubação orgânica em cultivos tradicionais

A foto
Nesta fotografia podemos observar a implantação de um experimento com adubação orgânica. A fotografia foi obtida no dia 3 de março de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

A utilização de fertilizantes nas culturas de milho e feijão na região semi-árida do Nordeste pelos pequenos agricultores ainda é bastante reduzida. Embora os agricultores desta região, em sua maioria, não disponham de recursos financeiros suficientes para aquisição de fertilizantes químicos, eles dispõem de bastante adubos orgânicos provenientes das fezes dos caprinos e ovinos. Contudo, devido a valorização deste tipo de fertilizante para agricultura irrigada, a maioria dos agricultores vendem o esterco de suas propriedades. Se este adubo fosse utilizado no plantio de milho e feijão, os resultados seriam bastante satisfatórios. No experimento que conduzimos com este fertilizante, os tratamentos de milho e feijão que receberam adubação orgânica, apresentaram produtividade acima de 40%, quando comparados com os não adubados.

A utilização racional da terra pelos pequenos agricultores


A foto
Nesta fotografia podemos observar o plantio de milho em uma área de fruteiras. A fotografia foi obtida no dia 4 de junho de 2008 na Comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE.
O fato
Os pequenos agricultores da região semi-árida do Nordeste, procuram utilizar de forma racional as terras de suas propriedades. Nesta fotografia podemos ver o plantio de milho realizado em uma área de 20 metros quadrados onde o agricultor cultiva 36 fruteiras irrigadas com água de chuva. Como o milho é produzido no período de chuvas, não vai concorrer com as fruteiras na busca de água. Desta forma, o agricultor aproveita todo o potencial de sua propriedade sem ter que desmatar novas áreas de caatinga para o plantio de sua lavoura.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Carro pipa é uma alternativa ou solução para falta de água no semi-árido nordestino!


A foto
Nesta fotografia podemos observar um carro pipa abastecendo uma cisterna. A fotografia foi obtida no dia 26 de setembro de 2008 na Comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE.
O fato
A eficiência das cisternas rurais no armazenamento de água de chuva na região semi-árida do Nordeste é um fato inquestionável. Contudo a existência de residências que possuem cisternas e não acumulam água das chuvas é um fato questionável. Todavia, em muitas residências do semi-árido, os agricultores ainda dependem dos carros pipas para o fornecimento de água para o consumo durante todo o ano. Embora as chuvas que caem na região sejam considerada pouca, isto é, 350 a 500 mm no ano, concentrada em 3 a 4 meses, porém se essa água fosse armazenada nas cisternas, daria para uma família de até 5 pessoas utilizar para consumo durante todo o ano. Agora, se os carros pipas não aparecessem, será que os agricultores investiriam nas calhas para captar água de chuva?

A importância da calha para captação de água de chuva para cisterna


A foto
Nesta fotografia podemos observar o agricultor colocando a calha para coleta de água de chuva. A fotografia foi obtida no dia 12 de dezembro de 2007 na Comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE.
O fato
A falta de água que nos meses de seca assola o semi-árido nordestino, poderia ser amenizada com o aproveitamento da água de chuva que escorre nos telhados das residências. Contudo, em muitas residências, a água se perde por falta de calhas ou por defeito de colocação. Outro problema que se pode observar é residências com calha apenas em um lado da casa. Nestes casos, metade da água que escorre no telhado é desperdiçada. Alguns agricultores não consertam os telhados e pouca água é armazenada nas cisterna. Na fotografia podemos ver o senhor Alírio Macedo da comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE, colocando uma calha no lado esquerdo da sua residência. Até esta data, toda água que caia deste lado,por volta de 17 mil litros de água era desperdiçada. Há um fato que devemos considerar, porque os agricultores, em muitos casos não se preocupam em armazenar toda água da chuva! Porque quando falta água, vem um carro pipa para socorrer.

Cisterna de arame


A foto

Nesta fotografia podemos observar a construção de uma cisterna com telha de arame. A fotografia foi obtida no dia 23 de novembro de 2007 na Comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE.

O fato

As cisternas de placas já são tradição na região semi-árida do Nordeste. Todavia, quando há falhas na construção destas cisternas, parte da água armazenada se perde por vazamentos. Uma alternativa para solução deste problema é a construção de cisternas com tela de arame. Este tipo pode apresentar uma elevação nos custos, contudo os resultados obtidos são significativos. Na comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE, construimos uma cisterna de tela para armazenar água de chuva visando a produção de alimentos. A cisterna foi construída na propriedade do senhor Alírio Macedo com recursos provenientes de um projeto financiado a fundo perdido pelo BNB e a Embrapa Semi-Árido.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Começou a venda de imbu da safra 2009


A foto

Nesta fotografia podemos ver agricultores vendendo frutos do imbuzeiro em uma avenida na cidade de Juazeiro, BA. A foto foi obtida em 10 de janeiro de 2009.

O fato

O fruto do imbuzeiro é uma alternativa de renda para muitos pequenos agricultores na região semi-árida do Nordeste. Neste ano, a safra teve início na região de Manoel Vitorino e Milagres na Bahia no final de Novembro. Em Petrolina, PE, a safra teve início no mês de dezembro com frutos obtidos no Campo Experimental da Caatinga na Embrapa Semi-Árido. São milhares de famílias em toda região que colhem e vende os frutos in natura para consumo ou processamento. Só no estado da Bahia, são mais de 10 mil famílias envolvidas no extrativismo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Irrigação de salvação de milho e feijão com água de chuva armazenada em barreiro


A foto

Nesta fotografia podemos observar um barreiro de irrigação de salvação. A fotografia foi obtida em 28 de abril de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

No ano de 2008, as chuvas no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido, concentraram-se nos meses de feveriero e março. A última grande chuva foi no dia 2 de abril com 85 mm. De maio a novembro não foi registrada chuvas significativas. Por outro lado, já no dia 28 de abril tivemos que utilizar a água de chuva armazenada no barreiro para irrigação suplementar. Nesta pesquisa, foi constatado que as culturas que não receberam irrigação de salvação, tiveram sua produção reduzida em mais de 50%. Neste ano, as chuvas foram em média de 359,9 mm, contudo sua distribuição concentrada nos meses de fevereiro e março não possibilitaram produtividades significativas para os agricultores da região, principalmente para as culturas de milho, feijão e sorgo.

Utilização de água armazenda em barreiro para irrigação suplementar


A foto

Nesta fotografia podemos observar um volume de água de chuva acumulada em um barreiro de irrigação de salvação. A fotografia foi obtida em 16 de março de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

Embora os barreiros sejam uma opção para o armazenamento da água de chuva na região semi-árida do Nordeste, essa água muitas vezes não chega a ser utilizada porque há uma perda bastante elevada por evaporação e infiltração. No caso específico deste barreiro, a utilização de sua água permitiu que fosse realizada algumas irrigações suplementares nas culturas de feijão e de milho, todavia, as elevadas temperaturas ocorridas nos períodos de estiagens de abril e maio de 2008, contribuíram para que a evaporação provocasse perdas elevadas desta água.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A perda de água de chuva em cultivo tradicional


A foto

Nesta foto podemos observar a diferença no crescimento do milho em função do efeito de diferentes preparo do solo. Esta fotografia foi obtida em 5 de abril de 2008 no Campo experimental da Caatinga na Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

Os pequenos agricultores da região semi-árida do Nordeste, em sua maioria ainda realizam o cultivo de milho e feijão em seus roçados com o solo na forma natural, isto é, sem qualquer manejo que possa contribuir para evitar erosão e perda de água por escoamento. Esta maneira de cultivo, além de provocar perdas das lavouras em anos de irregularidades climáticas, contribui para o processo de erosão que lentamente vai arrastando as partículas do solo. Se os agricultores utilizassem alguma técnica de captação e retenção das águas das chuvas, além de obterem mais produção, contribuiriam para sustentabilidade ambienta da caatinga. Na fotografia, se pode observar que o tratamento tradicional, onde o plantio é realizado logo após uma capina as plantas pouco resistiram as estiagens e cresceram muito pouco comparadas com os demais tratamentos.

Efeito de diferentes preparo de solo no crescimento das raízes de milho


A foto

Nesta foto podemos observar o crescimento das raízes de milho em função do efeito de diferentes preparo do solo. Esta fotografia foi obtida em 19 de maio de 2008 no Campo experimental da Caatinga na Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

Na região semi-árida do Nordeste a perda das lavouras em anos de irregularidades climáticas, ocorre em sua maior parte pelo manejo inadequado dos solos cultivados. Quando o manejo do solo é adequado, mesmo em anos de baixa precipitação os agricultores podem obter resultados significativos. Nesta região, as culturas tradicionais são o milho e o feijão, ambas bastante vulneráveis as irregularidades das chuvas. Com o preparo do solo mais apropriado a água das chuvas pode ser retida e mais distribuída em todo o perfil, contribuindo para o melhor desenvolvimento das raízes que resultará em plantas mais produtivas. Na Embrapa Semi-Árido, estamos desenvolvendo um projeto de pesquisa financiado pelo BNB-FUNDECI, cujo objetivo principal é conhecer os diferentes modos de preparo dos solos utilizados pelos agricultores e as consequências das chuvas no armazenamento de água no solo e a erosão provocada pelas chuvas nos diferentes tratamentos. Na fotografia acima, os tratamentos 2 e 3, apresentam os maiores volumes de raízes. O tratamento 2 consta de duas gradagens, onde se usa uma grande pesada que revolve o solo até 40 a 60 cm. No tratamento 3, é realizado apenas uma aração com grande normal revolvendo o solo até 30 a 40 cm. Nestes dois tratamentos, a maior renteção de água no solo e maior distribuição da umidade.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A produção de mudas de imbuzeiro para repovoamento da caatinga


A foto

Nesta fotografia, podemos observar um viveiro com bastante mudas de imbuzeiro para o plantio na caatinga. A fotografia foi obtida no dia 23 de setembro de 2008, na Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

Em décadas recentes, para produção de mudas de imbuzeiro os agricultores tinham que vencer algumas dificuldades por causa de informações incorretas. Havia uma informação de que a semente do imbuzeiro era provida de uma dormência, a qual deveria ser eliminada mecanicamente ou com a utilização de alguns produtos como ácidos entre outros. Assim, poucos ou nenhum agricultor se ariscava a produzir mudas de imbuzeiro. Recentemente, após a realização de diversos trabalhos de pesquisa, obtivemos resultados que eliminaram estes mitos. Um dos resultados mais significativos foi o de que a semente do imbu necessitava de um período de aproximadamente 60 dias após a queda do fruto maduro para que a semente atingisse sua maturidade fisiológica. Outro resultado foi o de que as sementes coletadas em chiqueiros e apriscos apresentavam um percentual de germinação bem maior que as demais, em função da presença de nitrogênio obtido da urina e vezes dos animais. Neste caso específico, foi uma descoberta muito importante, visto que, os agricultores podem de forma simples fazer esta operação em suas propriedades, colocando as sementes em água de esterco por 24 horas antes do plantio.

domingo, 11 de janeiro de 2009

O tamanho ideal das mudas de imbuzeiro para plantio


A foto

Nesta fotografia, podemos observar o preparo de mudas de imbuzeiro para o plantio na caatinga. A fotografia foi obtida no dia 20 de agosto de 2008, na Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

O plantio de mudas de imbuzeiro na caatinga, muitas vezes as mudas não resistem ao período de seca que chega até a 8 meses. Outro problema é o ataque que as mudas sofrem pelos animais silvestres que consomem o caule, as folhas e o xilopódio. Na área de caatinga degradada e com a presença de caprinos e ovinos, a probabilidade de sobrevivência das mudas é muito baixa. Em pesquisas realizadas na Embrapa Semi-Árido obtivemos resultados muito satisfatório com mudas de imbuzeiro cultivadas em canteiros por até 180 dias e depois repicadas para sacos plásticos até a data do plantio. Outra alternativa é a repicarem das mudas logo após as chuvas diretamente para o campo. Nesta modalidade, as mudas podem ser retiradas dos canteiros e transportadas para as áreas de plantio em até 72 horas. As mudas com esta idade são mais resistentes aos danos provocado pelos animais silvestres e pelos caprinos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A precocidade de algumas plantas de imbuzeiro


A foto

Nesta fotografia podemos observar três plantas de imbuzeiro em diferentes fases fenológicas. A fotografia foi obtida em 23 de setembro de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

Em trabalhos de pesquisa realizados nos últimos anos na Embrapa Semi-Árido com o imbuzeiro, identificamos que há uma variabilidade genética muito acentuada nesta espécie. Esta variabilidade pode ser aproveitada pelos agricultores no sentido de ter uma colheita antecipada nas plantas precoce e uma colheita fora do período de safra normal. Os agricultores podem formar seus pomares com estes três tipos de plantas e ter desta forma uma safra mais prolongada. Para o meio ambiente, essa variabilidade tem vantagens bastante significativas, tais como, quando a caatinga ainda esta seca nos meses de agosto e setembro, há muitas flores e pequenos frutos para os animais. Antes do início das chuvas nos meses de novembro e dezembro, em muitas plantas, os frutos maduros já estão caindo.

A variabilidade genética do imbuzeiro


A foto

Nesta fotografia podemos observar uma planta de imbuzeiro em fase de dormência vegetativa. A fotografia foi obtida em 23 de setembro de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

Na postagem anterior, mostramos uma planta de imbuzeiro com bastante flores no dia 23 de setembro de 2008, contudo como podemos ver, esta planta ainda encontra-se em fase de dormência vegetativa, isto é, com seu mecanismo em repouso. Esta fase pode prolonga-se até 35 dias, o que leva a floração para uma data mais a frente. Esta diferença entre as plantas de imbuzeiro é resultado da grande variabilidade genética destas plantas, motivada principalmente pela fecundação cruzada de até 75% das flores do imbuzeiro.

A floração do imbuzeiro em setembro de 2008


A foto

Nesta fotografia podemos observar uma planta de imbuzeiro com bastante flores. A fotografia foi obtida em 23 de setembro de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato
As chuvas que ocorreram no Campo Experimental no período de fevereiro ao final de abril de 2008 num total de 372,3 mm, sendo 126,0 mm no mês de fevereiro, 128,0 mm no mês de março e 117,9 mm no mês de abril, foram suficiente para manter a fenologia do imbuzeiro em sua normalidade. Esta planta que vemos na fotografia iniciou a brotação na última semana de agosto e nesta data, estava com uma floração muito intensa. Como se pode ver no detalhe, a vegetação ao lado esta seca, contudo o imbuzeiro com suas flores é uma alternativa para alimentação de pássaros, abelhas e outros animais da caatinga. Neste período são centenas de plantas de imbuzeiro floridas na caatinga.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Cisterna para carro pipa!


A foto


Nesta foto, podemos observar cisternas construídas em assentamento de agricultores sem terra. Esta fotografia foi obtida no município de Sobradinho, BA em novenbro de 2008.

O fato

A cisterna rural foi desenvolvida com a concepção de armazenar a água da chuva captada no telhado das residências rurais. A água armazenada pode suprir a necessidade de água para o consumo de uma família em anos de seca. Embora o programa de 1 milhão de cisternas já tenha construído um número bastante significativo de cisternas, a visão de cisterna em barracos de invasões de agricultores sem terra parece uma ligeira contradição, visto que, ainda temos centenas de residências de pequenos agricultores no semiárido que não dispõem de cisternas. Não estamos discutindo se estes agricultores tem ou não direito a água! É claro que todo ser humano tem direito água para consumo, porém, no caso dos agricultores de invasões de terra, outros problemas devem ser resolvidos, principalmente o da posse da terra. De onde será captada a água para as centenas de cisternas nestes assentamentos! Mais uma vez, os carros-pipas estão de volta.

Mamão produzido com água de chuva na caatinga


foto

Nesta fotografia podemos observar o agricultor diante de uma planta de mamão com bastante frutos, irrigada com água de cisterna. A fotografia foi obtida no dia 01 de outubro de 2008 na Comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE.

O fato

A produção de frutos na caatinga é bastante limitada, devido a escassez de chuvas. Todavia, quando existe água armazenada, os agricultores podem produzir alguns tipos de frutas. Na comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE, construimos uma cisterna para armazenar água visando a produção de alimentos, e o senhor Alírio nunca tinha colhido tanto mamão até esta data. A produção superou as expectativas do agricultor. Uma cisterna com capacidade de 16000 litros pode fornecer água para produção de 36 fruteiras durante um ano. A distribuição pode ser de 1 litro por planta no período de janeiro a abril, de 2 litros de maio a agosto e 3 litros de setembro a dezembro. Com este sistema, são utilizados apenas 10.400 litros, ficando uma reserva para possível seca.

Produção de caju com água de chuva armazenda em cisterna de comunidade rural


A foto

Nesta fotografia podemos observar a agricultora com frutos de caju colhido em planta irrigada com água de cisterna. A fotografia foi obtida no dia 11 de setembro de 2008 na Comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE.

O fato

A alegria desta agricultora não pode ser mensurada. Quando iniciamos os trabalhos de construção de uma cisterna para armazenar água visando a produção de alimentos, Dona Benedita disse que pagava para ver. Hoje com a colheita de caju, mamão, acerola, limão, ela esta radiante com um sonho realizado. Uma cisterna com capacidade de 16000 litros pode fornecer água para produção de 36 fruteiras durante um ano. A distribuição pode ser de 1 litro por planta no período de janeiro a abril, de 2 litros de maio a agosto e 3 litros de setembro a dezembro. Com este sistema, são utilizados apenas 10.400 litros, ficando uma reserva para possível seca.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Contribuição da cobertura morta na umidade do solo na caatinga



A foto

Nesta fotografia podemos observar a utilização de cobertura morta para retenção de umidade do solo na caatinga. A foto foi obtida em 15 de agosto de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato


Embora as chuvas que ocorrem na região semi-árida do Nordeste sejam em quantidade considera abaixo da normalidade, muito água é desperdiçada pela evaporação de água do solo, principalmente nas áreas de cultivo. Essa evaporação é mais acentuada nos meses de agosto a janeiro, quando ocorre o período de seca. A utilização de cobertura morta que pode ser de palhadas ou restolhos de culturas, pode contribuir para retenção da umidade no solo, garantido a produção mais regular das fruteiras cultivadas nesta região.

Uso de garrafas PET para irrigação de fruteiras com água de cisterna


A foto

Nesta fotografia podemos observar a utilização de garrafas PET para colocação de cisterna. A foto foi obtida em 29 de setembro de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato


Atualmente as garrafas PET dispersas no meio ambiente tem sido um problema de dificíl solução. Embora a reciclagem seja uma alternativa para este problema, ainda há um número muito grande de garrafas nos lixões de todo o Nordeste. Com objetivo de contribuir com a solução deste problema, estamos desenvolvendo um projeto de pesquisa financiado pelo BNB, cujo objetivo principal é a utilização de garrafas PET como reservatório para utilização de água de chuva na irrigação de fruteiras na caatinga.

Produção de caju com água de chuva armazenda em cisterna


A foto

Nesta fotografia podemos observar uma planta de caju com frutos. A fotografia foi obtida no dia 02 de outubro de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

A produção de frutas nas áreas de caatinga dependente de chuvas é praticamente impossível, todavia, com água de chuva acumulada em cisternas, pode-se produzir frutas durante todo ano. Uma cisterna com capacidade de 16000 litros pode fornecer água para produção de 36 fruteiras durante um ano. A distribuição pode ser de 1 litro por planta no período de janeiro a abril, de 2 litros de maio a agosto e 3 litros de setembro a dezembro. Com este sistema, são utilizados apenas 10.400 litros, ficando uma reserva para possível seca.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Irrigação de salvação com água de barreiro


A foto

Nesta fotografia podemos observar o procedimento de irrigação de salvação com água de barreiro. A fotografia foi obtida em 5 de maio de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

As culturas tradicionais da região Nordeste são o milho e o feijão. Embora esta culturas sejam muito susceptíveis as estiagens que ocorrem no período de chuvas, a grande maioria dos agricultores cultivam uma pequena área onde poderão obter o milho e feijão necessários para o consumo durante o ano. Com a água acumulada em um pequeno barreiro, os agricultores podem realizar irrigações sucessivas até que as chuvas ocorram e assim, salvar seus cultivos. Para utilizar o berreiro de irrigação de salvação, este deve esta localizado em uma área acima da área de cultivo para que a água chegue por gravidade as plantas.

Efeito da falta de chuvas na cultura do feijão




A foto

Nesta fotografia podemos observar plantas de feijão bastante secas em função da falta de chuvas. A fotografia foi obtida em 23 de maio de 2008 no Campo Experimental da Embrapa SemiÁrido em Petrolina, PE.

O fato
As chuvas que ocorreram no Campo Experimental no período de fevereiro ao final de abril de 2008 num total de 372,3 mm, sendo 126,0 mm no mês de fevereiro, 128,0 mm no mês de março e 117,9 mm no mês de abril, foram suficiente para manter o solo molhado sem necessidade de irrigação. Todavia, para o milho e o feijão, cujo período de formação de vagens e espigas levam mais tempo, podem ter problemas de mortandade com a falta de umidade, como as plantas de feijão que vemos na fotografia. Assim, a utilização de uma irrigação de salvação pode contribuir de forma positiva para as culturas de milho e feijão, como também para obtenção de aumentos na produção. Em trabalhos de pesquisa realizados em 2008 com a água acumulada neste barreiro, obtivemos ganhos na ordem de 60% em relação à produção de milho e feijão, em função da aplicação de irrigação suplementar nos períodos de estiagens.

O efeito da irrigação de salvação na produção de feijão



A foto

Nesta fotografia podemos observar plantas de feijão bastante verdes com vagens em formação e outras no ponto de colheita. A fotografia foi obtida em 23 de maio de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

Como foi demonstrado na imagem das plantas de feijão secas no dia 23 de maio de 2008, embora tenha ocorrido bastante chuvas no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido no período de fevereiro ao final de abril num total de 372,3 mm, sendo 126,0 mm no mês de fevereiro, 128,0 mm no mês de março e 117,9 mm no mês de abril, há utilização de uma irrigação suplementar com água acumulada em barreiro para irrigação de salvação pode ser muito importante na produtividade destas culturas como podemos ver nesta fotografia.

Alternativa para captar e armazenar água de chuva


>Nesta fotografia podemos observar parte da água de chuva retida em sulcos. A fotografia foi obtida em 16 de março de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

Na região semi-árida do Nordeste as chuvas irregulares e de pouca intensidade podem comprometer o cultivo dos pequenos agricultores. De modo geral, logo após as primeiras chuvas a maioria dos agricultores realiza o plantio, contudo, as estiagens que perduram por mais de 15 a 20 dias podem levar estes cultivos ao insucesso. Assim, a utilização de algumas técnicas de captação de água de chuva, tais como, os sulcos para conter o máximo possível a água da chuva, pode contribuir para que as plantas, principalmente o milho e o feijão consigam resistir às estiagens e produzirem. De modo geral, o milho e o feijão se cultivados em áreas preparadas, estes podem resistir até 30 a 45 dias, após uma chuva de 60 mm.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Água de chuva armazenada em barreiro para irrigação de salvação


A foto

Nesta fotografia podemos observar um barreiro de irrigação de salvação. A fotografia foi obtida em 16 de março de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

Na região semi-árida do Nordeste as chuvas muitas vezes ocorrem em períodos muitos curtos e faltam quando as culturas mais necessitam de umidade no solo. O barreiro de irrigação de salvação é uma alternativa que pode ser utilizada pelos agricultores para armazenar a água da chuva e utilizá-la nos meses de estiagem que ocorrerem ou para obtenção de um segundo cultivo. Essa alternativa pode contribuir para que os agricultores obtenham sucesso em seus cultivos, visto que, em alguns anos, os agricultores plantam nas primeiras chuvas e quando as culturas estão nas fases de floração e formação de espigas ou vagens, as chuvas não caem e a uma perda total dos cultivos.

Cisternas para o armazenamento de água de chuva




A foto

Nesta fotografia podemos observar a construção de uma cisterna. A foto foi obtida em 4 de setembro de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato


As secas severas que assolam a região semi-árida do Nordeste e causam transtornos para população em relação à água para consumo humano, poderiam ser amenizadas com a captação e o armazenamento de água das chuvas em cisternas rurais. Essa alternativa poderá contribui para conter a grande perda de água que ocorre por escoamento em toda região. Todavia, a construção de 1 milhão de cisternas que esta ocorrendo no sertão, ainda não tem contido partes dos milhões de metros cúbicos de água que são perdidos por escoamento. Muitas cisternas têm sido construídas sem levar em consideração o volume de chuvas estimado para região e anualmente, logo após o final da estação chuvosa, já são encontradas famílias a espera dos carros pipas. O tamanho das cisternas, de 16000 litros, muitas vezes não é suficiente para armazenar toda água que é captada em períodos de chuvas regulares. Neste sentido, há necessidade de se rever o tamanho das cisternas para que as populações rurais do semi-árido consigam superar os desafios das secas.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Água de chuva armazenada em cisterna para produção de alimentos III


A foto

Nesta fotografia pode-se observar uma residência com duas cisternas com o objetivo de utiliza a água de chuva acumulada em uma das cisternas para produção de alimentos. A fotografia foi obtida em 15 de outubro de 2008 na Comunidade de Lagoa do Jacaré no município de Jaguarari, BA.

O fato

O senhor Francisco tinha apenas uma cisterna em sua residência e parte da água das chuvas era desperdiçada por falta de calha para levar a água para a cisterna. Contudo, o volume de água sempre foi maior que a capacidade da cisterna que é de 16000 litros. Com recursos provenientes de um projeto financiado pelo BNB, foi construída uma segunda cisterna para acumular a água que estava sendo desperdiçada no outro lado da residência. Com a água acumulada na nova cisterna destinada ao cultivo, o senhor Francisco poderá cultivar até 36 fruteiras e obter frutos para o consumo da família ou para obtenção de renda.

Utilização de água armazenda em cisterna para produção de alimentos


A foto

Nesta fotografia, pode-se observar uma planta de mamão com bastante frutos, utilizando água de chuva acumulada em cisterna. A fotografia foi obtida em 30 de junho de 2008 na Comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE.

O fato

Na maioria das residências do Sertão nordestino, parte da água das chuvas é desperdiçada por falta de calha em todos os lados da residência ou porque as cisternas com capacidade para 16000 litros não acumulam toda água das chuvas. Todavia, quando esta água é totalmente armazenada, os agricultores podem cultivar um pequeno pomar com fruteiras ou hortaliças. Na comunidade de Barreiro, a água acumulada na cisterna destinada ao cultivo, proporcionou ao agricultor a produção de caju, acerola, limão, manga e mamão. Nesta comunidade choveu 530 mm no ano de 2008, com esta precipitação, o agricultor acumulou água nas duas cisternas, sendo uma para consumo da família e outra para irrigação do pomar. A água acumulada na cisterna foi dividida de forma que o agricultor pudesse colocar 1 litro de água por planta no período de janeiro a abril, 2 litros de junho a agosto e 3 litros de setembro a dezembro. No total, foram utilizados 10.400 litros para o cultivo de 36 fruteiras. Quando da ocorrência de chuvas, a irrigação foi suspensa e o excedente de água utilizado em outro período.

Água de chuva armazenada em cisterna para produção de alimentos



A foto

Nesta fotografia podemos observar cisternas rurais utilizadas para armazenar água de chuva, visando a produção de alimentos. A fotografia foi obtida no dia 22 de fevereiro de 2008 no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

O volume de precipitação que ocorre na região semi-árida do Nordeste, em média, 250 a 500 mm, anualmente, são utilizados em sua maior parte para o consumo humano, todavia, parte deste volume, que na maioria das vêzes são desperdiçados por problemas nos telhados ou por falta de local de armazenamento, pode ser utilizado pelos agricultores para produção de alimentos. Os milhões de metros cúbicos de água que são perdidos para os rios e destes para o oceano, se armazenados, poderão ser utilizados para produção de fruteiras ou hortaliças que contribuiram para geração de renda ou melhoria da qualidade de vida dos agricultores com o consumo ou a venda das mesmas. Para isto, a água excedente deverá ser armazenada em cisternas ou outros depósitos para utilização durante o período de seca.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Perdas de água e solo no semi-árido do Nordeste

A foto

Nesta foto podemos observar o escoamento ocorrido durante uma chuva. Esta fotografia foi obtida em 29 de fevereiro de 2008 no Campo experimental da Caatinga na Embrapa Semi-Árido em Petrolina, PE.

O fato

Na região semi-árida do Nordeste, a escassez de água ocorre em sua maior parte pela má distribuição das chuvas e pela perda de água através do escoamento superficial. Dos 969.589,4 km quadrados do semi-árido, anualmente, milhões de metros cúbicos de água são perdidos para os rios e destes para o oceano. Se a maior parte desta água fosse retida em pequenos açudes, barragens, grandes açudes, etc, haveria no Nordeste excesso de água para utilização por sua população. Temos no semi-árido um total de 450 grandes açudes cuja capacidade é superior a um milhão de metros cúbicos. Todavia, a quantidade de água que perdemos pelo escoamento superficial daria para acumular milhões de metros cúbicos em outros 500 açudes. Se todo agricultor do semi-árido adotasse tecnologias de captação e armazenamento de água de chuva, o semi-árido viveria outros tempos. Na Embrapa Semi-Árido, estamos desenvolvendo um projeto de pesquisa financiado pelo BNB-FUNDECI, cujo objetivo principal é conhecer os diferentes modos de preparo dos solos utilizados pelos agricultores e as consequências das chuvas no armazenamento de água no solo e a erosão provocada pelas chuvas nos diferentes tratamentos.