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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A primeira cisterna de plástico no Sertão do Piauí



A foto

Nesta fotografia podemos ver a primeira cisterna de plástico implantada no Sertão do Piauí. A fotografia foi obtida no dia 31 de janeiro de 2012 na Comunidade de Chapada da Serra Branca no município de Paulistana, PI.

O fato

Embora o programa de construção de cisternas no semiárido do Nordeste brasileiro já tenha alcançado números superiores a 433 mil cisternas, ainda há muitas comunidades que não tiveram acesso a nenhuma cisterna como é o caso da comunidade de Chapada da Serra Branca no município de Paulistana no Piauí. Essa comunidade com mais de 36 famílias tem enfrentado muita dificuldade com a falta de água para o consumo. A comunidade está localizada em uma área de pouca ocorrência de fontes de água e praticamente tem sido esquecida pelos programas sociais dos governos Federal, Estadual e Municipal. Embora não se saiba a razão pela qual o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) inda não chegou a tantas comunidades do Sertão, agora os agricultores estão muitos entusiasmados com a iniciativa do governo de implantar 750 mil cisternas para atender as famílias até então não atendidas pelo P1MC em seus mais de 10 anos de atuação.  A primeira cisterna de plástico no Piauí foi implantada no dia 28 de janeiro de 2012 nesta comunidade. A família beneficiada foi a da agricultora Maria Viana que aos 86 anos viu de perto um sonho realizado, uma cisterna para sua família ter água para beber. Esse tipo de cisterna faz parte do Programa Água para Todos, do governo Federal,  coordenado pelo Ministério da Integração Nacional, como parte do Plano Brasil Sem Miséria e conta com apoio dos Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), do Banco do Nordeste (BNB) e da Fundação Banco do Brasil.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

As carvoarias do Sertão de Pernambuco




A foto

Nesta fotografia podemos ver sacos com carvão vegetal ao lado de uma carvoaria na caatinga. A fotografia foi obtida no dia 19 de janeiro de 2012 no município de Sertânia, PE.

O fato

A utilização da lenha da caatinga para produção de carvão vegetal é uma das alternativas de renda e de consumo para muitos pequenos agricultores da região. O carvão vegetal de modo geral é obtido de partes secas da madeira da caatinga. Os pequenos agricultores que fazem esta prática, normalmente produzem uma pequena quantidade de carvão, sendo para o consumo próprio e para venda. O preço de um saco de carvão em muitas regiões da caatinga é de aproximadamente por 5,0 Reais, o que torna esta atividade pouco atraente para muitos. Os agricultores só produzem carvão para venda quando não conseguem outra atividade, visto que, esse carvão é vendido para outras famílias que de modo geral compram fiado e para pequenas mercearias que pagão preços entre 4 e 6 Reais.  Esses agricultores que produzem pequena quantidade de carvão para consumo próprio e para venda em suas comunidades, realmente não são os grandes vilões do carvão no Sertão. Não são esses agricultores responsáveis pela devastação demonstrada recentemente nos estudos que demonstraram um aumento no total de caatinga desmatada de 43,38% para 45,39% nos últimos seis anos. A taxa anual média de desmatamento nos seis anos foi de 2.763 quilômetros quadrados. Levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) divulgado recentemente apontou que, entre 2002 e 2008, a caatinga teve 16.576 quilômetros quadrados desmatados, o que equivale a mais da metade da área do Estado de Alagoas.  Por outro lado, em algumas áreas do Sertão de Pernambuco, principalmente na divisa dos municípios de Serra Talhada e Custódia, esta atividade está contribuindo para a devastação da caatinga, visto que, o carvão é produzido em grande escala e vendido para indústrias na capital Recife. Dessa região sai semanalmente 8 a 10 caminhões com 12 toneladas cada um de carvão. Essa produção é que deve ser contida, como podemos ver na fotografia.  

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O dilema da seca e das chuvas no Sertão do Nordeste




A foto

Nesta fotografia podemos ver o escoamento superficial em uma estrada da caatinga. A fotografia foi obtida em 23 de janeiro de 2004.

O fato

Quando se fala de seca no Nordeste, perece que estamos em uma região onde a natureza é cruel com seus habitantes. Todavia, se fizermos uma análise mais apurada, veremos que no Sertão do Nordeste, chove muito. O que realmente define está região são as duas estações marcantes, um período de inverno com chuvas e um período de verão totalmente desprovido de chuvas. De modo geral as primeiras chuvas chegam ao Sertão nos meses de outubro, novembro e dezembro, prolongando-se até o mês de maio e junho. Após esse período, temos a ocorrência da seca que só muda com a chegada das chuvas de outubro, todavia, isto não é uma normalidade, temos anos onde outubro, novembro e dezembro, praticamente não chovem. Por outro lado, nos últimos anos tem sido observado que as chuvas na região semiárida do Nordeste, embora continuem com irregularidade no tempo e no espaço, apresentam uma elevação do volume total. Em 2011 as chuvas passaram de 596,9 mm. A média de anos com chuvas acima de 500 mm já esta sendo uma normalidade. Em janeiro de 2011 foram registradas cinco ocorrências de chuvas na região com um total de 66,2 mm, sendo as mais significativas no dia 21 com 14 mm e no dia 24 com 46,3 mm. Esse total é menor que a média de 29 anos que é de 93,3 mm para o mês de janeiro. Todavia, essas chuvas não salvarão as plantações de milho e feijão de dezembro de 2010, visto que, as plantas não resistiram às altas temperaturas. Em fevereiro ocorreram seis chuvas, sendo as mais importantes no dia 25 com 27,9 mm e no dia 28 com 44,0 mm. Neste mês choveu um total de 87,2 mm. A média de chuvas para fevereiro de 1982 a 2010 é de 83,8 mm. Contudo, no período de 1 a 24 de fevereiro, o sol foi muito forte e eliminou as pequenas plantas de milho e feijão que ainda resistiam. Muitos agricultores eliminaram o que restava do plantio de dezembro e realizam um novo plantio com a esperança de chuvas para março e abril.  Em março foi registrado um total de 77,5 mm, sendo 31,3 mm no dia 5 e 30 mm no dia 28. A média de março é de 131,2 mm. Assim, as chuvas ficaram muito abaixo da média para região. No mês de abril, choveu 153,4 mm na região. Essas chuvas possibilitaram o crescimento e uma boa produção para o milho e feijão dos agricultores que plantaram no mês de fevereiro. Até o dia 30 de abril de 2011, já havia ocorrido um total de 384,3 mm. Embora essa chuva não tenha proporcionado um acúmulo de água nos açudes e barreiros, foi suficiente para encher todas as cisternas até o mês de abril. Nos meses de maio  choveu 74,7 mm, em  junho 2,8 mm e julho0,7 mm. No mês de agosto, foi registrada uma precipitação de 20,8 mm. Essa chuva foi muito importante, visto que a caatinga já estava iniciando sua fase seca. Em setembro não foi registrada nenhuma chuva. Em outubro ocorreu uma precipitação de 12,5 mm, porém as elevadas temperaturas que ocorreram neste mês provocaram a evaporação rápida dessa água. No mês de novembro ocorreu uma precipitação de 56,7 mm. Essa chuva possibilitou o plantio de milho, feijão e abóbora, contudo, em novembro o calor foi elevadíssimo e nada resistiu, visto que novas chuvas só vieram a ocorrer em 13 de dezembro. Com essas chuvas a região já registrou um total de 596,9 mm, o que pode ser considerado um bom índice. Muitos agricultores já iniciaram o plantio novamente, porém, se não houver novas chuvas ainda este mês e principalmente em janeiro de 2012, mais uma vez a safra será perdida.  O que precisamos na região semiárida do Nordeste, é uma política de conscientização dos agricultores sobre a necessidade de armazenar o máximo possível de água das chuvas pela utilização de tecnologias que possibilitem a captação e o armazenamento desta água no solo. Porém, água somente não muda o cenário, temos outras regiões do País onde há muita água armazenada e disponível nos rios permanentes e a população ainda sobrevivem com índices de pobreza severa.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

As novas cisternas para o semiárido nordestino



A foto

Nesta fotografia podemos ver a primeira cisterna de plástico implantada no Sertão de Pernambuco. A fotografia foi obtida por técnicos do Ministério da Integração Nacional no município de Cedro, PE.

O fato

Após quase uma década de trabalhos desenvolvidos no semiárido do Nordeste por diversas entidades públicas e da sociedade civíl com o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) para construção de 1 milhão de cisternas com o objetivo de atender as necessidades da população rural do Sertão com água para o consumo, o governo federal iniciou uma nova etapa deste programa com a implantação de sistemas de armazenamento de água de chuva em cisternas plásticas. A meta inicial é de atender 750 mil famílias nos primeiros 3 anos do programa nas áreas do Semiárido Nordestino e Norte de Minas Gerais. A primeira cisterna deste novo modelo foi implantada no dia 13 de dezembro de 2011 na Comunidade de Sítio Caldeirão no município de Cedro, PE. A família beneficiada foi a da agricultora Lucilene Maria da Conceição. Embora as entidades componentes da ASA (Articulação no Semiárido Brasileiro) tenham reagido negativamente à implantação deste programa, os técnicos do Ministério da Integração Nacional, afirmam que esse novo modelo de cisternas possibilita aos agricultores o consumo de água livre de contaminação, pois os sistemas de armazenamento - de polietileno - impedem a entrada de contaminantes, o que evita também o surgimento de doenças de origem bacteriológica, parasitária ou microbiológica, como cólera e hepatite. Esse tipo de cisterna vem sendo utilizado em outros países de clima semelhante ao semiárido e tem apresentado boa resistência. O estado de Pernambuco deverá receber 300 mil destas cisternas dentro do Programa Água para Todos, do governo federal,  coordenado pelo Ministério da Integração Nacional, como parte do Plano Brasil Sem Miséria e conta com apoio dos Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), do Banco do Nordeste (BNB) e da Fundação Banco do Brasil. Acreditamos que esse programa possa alcançar a meta de 1 milhão de cisternas, visto que, a produção e implantação das cisternas é mais rápida que as tradicionais cisternas de placas do Programa P1MC.