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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O dilema da seca e das chuvas no Sertão do Nordeste




A foto

Nesta fotografia podemos ver o escoamento superficial em uma estrada da caatinga. A fotografia foi obtida em 23 de janeiro de 2004.

O fato

Quando se fala de seca no Nordeste, perece que estamos em uma região onde a natureza é cruel com seus habitantes. Todavia, se fizermos uma análise mais apurada, veremos que no Sertão do Nordeste, chove muito. O que realmente define está região são as duas estações marcantes, um período de inverno com chuvas e um período de verão totalmente desprovido de chuvas. De modo geral as primeiras chuvas chegam ao Sertão nos meses de outubro, novembro e dezembro, prolongando-se até o mês de maio e junho. Após esse período, temos a ocorrência da seca que só muda com a chegada das chuvas de outubro, todavia, isto não é uma normalidade, temos anos onde outubro, novembro e dezembro, praticamente não chovem. Por outro lado, nos últimos anos tem sido observado que as chuvas na região semiárida do Nordeste, embora continuem com irregularidade no tempo e no espaço, apresentam uma elevação do volume total. Em 2011 as chuvas passaram de 596,9 mm. A média de anos com chuvas acima de 500 mm já esta sendo uma normalidade. Em janeiro de 2011 foram registradas cinco ocorrências de chuvas na região com um total de 66,2 mm, sendo as mais significativas no dia 21 com 14 mm e no dia 24 com 46,3 mm. Esse total é menor que a média de 29 anos que é de 93,3 mm para o mês de janeiro. Todavia, essas chuvas não salvarão as plantações de milho e feijão de dezembro de 2010, visto que, as plantas não resistiram às altas temperaturas. Em fevereiro ocorreram seis chuvas, sendo as mais importantes no dia 25 com 27,9 mm e no dia 28 com 44,0 mm. Neste mês choveu um total de 87,2 mm. A média de chuvas para fevereiro de 1982 a 2010 é de 83,8 mm. Contudo, no período de 1 a 24 de fevereiro, o sol foi muito forte e eliminou as pequenas plantas de milho e feijão que ainda resistiam. Muitos agricultores eliminaram o que restava do plantio de dezembro e realizam um novo plantio com a esperança de chuvas para março e abril.  Em março foi registrado um total de 77,5 mm, sendo 31,3 mm no dia 5 e 30 mm no dia 28. A média de março é de 131,2 mm. Assim, as chuvas ficaram muito abaixo da média para região. No mês de abril, choveu 153,4 mm na região. Essas chuvas possibilitaram o crescimento e uma boa produção para o milho e feijão dos agricultores que plantaram no mês de fevereiro. Até o dia 30 de abril de 2011, já havia ocorrido um total de 384,3 mm. Embora essa chuva não tenha proporcionado um acúmulo de água nos açudes e barreiros, foi suficiente para encher todas as cisternas até o mês de abril. Nos meses de maio  choveu 74,7 mm, em  junho 2,8 mm e julho0,7 mm. No mês de agosto, foi registrada uma precipitação de 20,8 mm. Essa chuva foi muito importante, visto que a caatinga já estava iniciando sua fase seca. Em setembro não foi registrada nenhuma chuva. Em outubro ocorreu uma precipitação de 12,5 mm, porém as elevadas temperaturas que ocorreram neste mês provocaram a evaporação rápida dessa água. No mês de novembro ocorreu uma precipitação de 56,7 mm. Essa chuva possibilitou o plantio de milho, feijão e abóbora, contudo, em novembro o calor foi elevadíssimo e nada resistiu, visto que novas chuvas só vieram a ocorrer em 13 de dezembro. Com essas chuvas a região já registrou um total de 596,9 mm, o que pode ser considerado um bom índice. Muitos agricultores já iniciaram o plantio novamente, porém, se não houver novas chuvas ainda este mês e principalmente em janeiro de 2012, mais uma vez a safra será perdida.  O que precisamos na região semiárida do Nordeste, é uma política de conscientização dos agricultores sobre a necessidade de armazenar o máximo possível de água das chuvas pela utilização de tecnologias que possibilitem a captação e o armazenamento desta água no solo. Porém, água somente não muda o cenário, temos outras regiões do País onde há muita água armazenada e disponível nos rios permanentes e a população ainda sobrevivem com índices de pobreza severa.

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