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terça-feira, 5 de julho de 2011

As fontes naturais e tradicionais de armazenamento de água de chuva no Sertão




A foto


Nesta fotografia  podemos observar um agricultor coletando água de chuva retida em um caldeirão.  A fotografia foi obtida no dia 16 de abril de 2002 na Comunidade de Ladeira de Baixo no município de Casa Nova, BA.

O fato

No Sertão do Nordeste existem muitas formas tradicionais de armazenamento de água de chuva. As mais conhecidas são os caldeirões, caxios, nascentes e cacimbas. Os caldeirões são buracos feitos pelo intemperismo nas rochas cristalinas que, representam reservatórios excelentes para a água da chuva com a vantagem de não ter perdas por infiltração. Os caldeirões em muitas comunidades são a garantiam de água para os agricultores em períodos de longas estiagens. Os caxios, também são resultantes do intemperismo que transforma a rocha cristalina de forma que essa pode ser escavada manualmente e transformada em um reservatório. Ao contrário dos caldeirões que são depressões naturais que favorecem o armazenamento da água das chuvas. A cacimba é uma área, sempre localizada em leitos dos rios e riachos da região que preservam um grande volume de água no solo. Todavia, esse reservatório requer manutenção constante, no sentido de retirar à areia que vai cindo com a retirada da água. A desvantagem das cacimbas é que, no período de chuvas, as enchentes e enxurradas trás muita areia e provoca seu fechamento, sendo necessário que o agricultor reabra novamente a cacimba.  As nascentes são manifestações superficiais de água armazenada em reservatórios subterrâneos, conhecidos como aquíferos ou lençóis, e que dão origem a pequenos cursos d’água. No interior do Nordeste, as nascentes, normalmente são transformadas em pequenos barreiros que fornecem água para consumo das famílias e dos animais durante todo o ano.

domingo, 3 de julho de 2011

Como podemos criar abelhas e desmatar a caatinga ao mesmo tempo



A foto

Nesta fotografia, podemos observar uma área de caatinga desmatada para plantação de capim. A fotografia foi obtida no dia 20 de julho de 2010 na comunidade de Bela Vista no município de Paulistana, PI.

O fato

Na caatinga há uma grande diversidade de plantas que são utilizadas pelas abelhas para produção de mel. Entre as espécies mais utilizadas pelas abelhas para coletar pólen e néctar na caatinga, destacam-se: a favela (Cnidoscolus phyllacanthus); o imbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda); o amarra cachorro (Bromelia sp.); o angico (Anadenanthera macrocarpa); a aroeira (Astronium urundeuva); o mofumbo (Combretum leprosum); a catingueira (Caesalpinia pyramidalis); o cumaru (Amburana cearensis); a imburana de cambão (Bursera leptophloeos); a jitirana (Ipomaeia acuminata); o juazeiro (Ziziphus joazeiro); a jurema (Acacia bahiensis); a malva (Sida sp.); a maniçoba (Manihot glaziovii); o mussambê (Cleome spinosa), o marmeleiro (Croton sonderianus), entre outras. Cada uma dessas espécies apresenta características distintas quanto a suas potencialidades em termos de oferta de pólen e néctar para as mais de 30 espécies de abelhas endêmicas da caatinga. Entretanto, muitos agricultores que criam abelhas no Sertão do Nordeste, não são conhecedores destas potencialidades e muitas vezes eliminam parte da vegetação, mesmo tendo em seus criatórios de abelhas, parte significativa da renda familiar. Na fotografia podemos ver uma colméia no final da área desmatada. Nesta propriedade, o agricultor perdeu nos últimos 5 anos mais de 20 colméias que abandonaram a área. Será que não foi pelo desmatamento!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

As perdas de água e solo na caatinga




A foto

Nesta fotografia, podemos observar uma parcela para o estudo das perdas de água e solo na caatinga. A fotografia foi obtida no dia 15 de maio de 2011 na Embrapa Semiárido em Petrolina, PE.

O fato

Diversos estudos climatológicos atestam que no Nordeste semiárido é registrada uma precipitação pluviométrica anual, em torno de 700 bilhões de m³. Contudo, 642 bilhões e 600 milhões de m³ são consumidos pela evapotranspiração e 36 bilhões ou 5,1%, perde-se por escoamento superficial para os rios, e destes para o mar. Com o objetivo de estudar as perdas de solo e água na caatinga, realizamos uma pesquisa com diferentes tratamentos. Os tratamentos resultaram de diferentes sistemas de cobertura do solo, sendo: T 1 (Solo descoberto); T 2 (Solo com cobertura vegetal morta); T 3 (Solo com cobertura vegetal verde); e T 4 (Área com vegetação nativa de caatinga). A cobertura vegetal verde utilizada no tratamento 3 foi composta com o capim corrente (Urochloa mosambicensis (Hack.) de vegetação espontânea na área do experimento. No tratamento 2 distribuiu-se o feno do capim corrente uniformemente sobre a superfície com uma espessura de 5 cm na proporção de 35t/ha. As parcelas experimentais foram delimitadas com dimensões de 10 x 5 m com a maior proporção no sentido do declive do solo, estimado em 0,5%. O escoamento foi coletado em três caixas com capacidade para 1m³ cada, colocadas a jusante da soleira de cada parcela abaixo do nível da área de captação. Após as precipitações, foi medida a água de cada parcela coletada nas caixas e colocada em outros recipientes para repouso por 24 horas para sedimentação por gravidade dos materiais em suspensão na água. Posteriormente, foi succionado o máximo possível da água de cada recipiente. O solo coletado foi levado à estufa (105 º C por 24 horas) e posteriormente determinado o seu peso seco.  No mês de abril foram registrados dez eventos de precipitação, sendo os de maiores volumes no dias 10, 17 e 24. No dia 10, a precipitação de 61 mm, produziu um escoamento superficial de 502,4 m3 ha-1 no tratamento 1 (Solo descoberto). Neste tratamento as perdas de solo foram na ordem de 4,506 t ha-1. No tratamento 2 (Cobertura morta) e tratamento 3 (Cobertura verde), as perdas de água foram na ordem de 3,50 e 3,96 m3 ha-1, respectivamente. Por outro lado, as perdas de solo  não foram significativas. No tratamento 4 (Área com vegetação nativa de caatinga), o escoamento superficial provocou a perda de 37,2 m3 ha-1 de água e 0,0516 t ha-1 de solo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O crescimento da aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius Raddi) em diferentes substratos




A foto

Nesta fotografia, podemos observar os aspectos do desenvolvimento de plantas de aroeira-vermelha cultivadas em diferentes substratos. A fotografia foi obtida no dia 28 de setembro de 2006 na Embrapa Semiárido em Petrolina, PE.

O fato

 A pimenta rosa ou aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius Raddi), uma espécie pioneira e nativa do Brasil, dióica que pertence à família Anacardiaceae. Embora seja popularmente conhecida como pimenta rosa, não tem qualquer parentesco com a família das pimentas. Na verdade, ela é um parente do caju, da manga e do cajá-mirim, dentre outras conhecidas anacardiáceas frutíferas. Esta espécie apresenta características que podem contribuir para seu cultivo em áreas de maior precipitação da região semiárida do Nordeste. Neste sentido, foram testados diferentes substratos, com o objetivo de verificar os que proporcionam melhores condições para o desenvolvimento de mudas de aroeira-vermelha, O delineamento experimental utilizado foi em blocos ao acaso com cinco substratos (areia, solo, areia + solo, areia + esterco de bovino e areia + solo + esterco de bovino, sendo as combinações em proporções de 50% de cada material) em quatro repetições. O trabalho foi realizado de setembro de 2007 a dezembro de 2008, em temperatura ambiente, na Embrapa Semi-Árido, em Petrolina, PE. Foram realizadas as avaliações aos 360 dias após o plantio. Em relação ao desenvolvimento do sistema radicular das mudas de aroeira-vermelha, verificou-se que no substrato com areia + esterco e areia + solo + esterco, todas as mudas apresentaram os maiores valores em termos de comprimento. O crescimento em altura das mudas foi influenciado pelos diferentes substratos analisados. Entre os substratos, o melhor foi o com areia + esterco de bovino, que provocou maior crescimento das plantas e a maior produção de matéria seca.

domingo, 26 de junho de 2011

O consumo de xiquexique pelos caprinos na caatinga de Pernambuco


 

A foto

Nesta fotografia, podemos observar caprinos consumindo xiquexique. A fotografia foi obtida no dia 10 de novembro de 2005 na área de caatinga da Comunidade de Alto do Angico em Petrolina, PE.

O fato

O xiquexique (Pilosocereus gounellei (A. Webwr ex K. Schum.) Bly. Ex Rowl.) é uma Cactaceae de tronco ereto com galhos laterais afastados e descrevendo suavemente uma curva ampla em direção ao solo. Seus ramos são compostos por fortes espinhos de coloração verde-opaca, atingindo altura de até 3,75 m e o diâmetro da copa variando de 1,45 a 3,27 m. Suas flores são tubulosas com 15 a 17 cm de comprimento de cor branca.   Esta cactácea desenvolve-se, principalmente, nas áreas mais secas da região semiárida do Nordeste, em solos rasos, encima de rochas e se multiplica regularmente, cobrindo extensas áreas da caatinga.  Sua distribuição ocorre principalmente nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. O xiquexique é uma das cactáceas da caatinga, muito utilizada pelos agricultores na época de seca. Neste período, os agricultores cortam e queimam o xiquexique para eliminar os espinhos e facilitar seu consumo pelos animais. Em um trabalho de pesquisa, foi avaliado o efeito da utilização do xiquexique sobre o ganho de peso de caprinos, no período de agosto a novembro de 2005. O delineamento experimental constou de três tratamentos com quatro repetições. Os animais consumiram no período, uma média de 351,13 kg de fitomassa de xiquexique. O consumo diário de foi, em média, de 6,63 kg/dia.  Os animais que receberam suplementação com o xiquexique tiveram uma perda de peso menor do que aqueles que permaneceram em pastejo contínuo na caatinga.