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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A degradação da vegetação e solos da caatinga



A foto

Nesta fotografia podemos observar uma área de caatinga degradada.  A fotografia foi obtida no dia 11 de agosto de 2010 no município de Betânia do Piauí, PI.

O fato

Na região semiárida do Nordeste, há uma intensificação das áreas de caatinga onde grande parte dos solos apresenta-se erodidos em função do desmatamento da vegetação nativa da caatinga para formação de pastagens. Estudos recentes demonstraram que o total de caatinga desmatada saltou de 43,38% para 45,39% num período de seis anos. A taxa anual média de desmatamento nos seis anos foi de 2.763 quilômetros quadrados. Levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) divulgados recentemente apontou que, entre 2002 e 2008, a caatinga teve 16.576 quilômetros quadrados desmatados, o que equivale a mais da metade da área do Estado de Alagoas. Por outro lado, alguns estudos têm demonstrado que a fragilidade dos solos das áreas de caatinga do Nordeste favorece a degradação. Os solos descobertos, principalmente nas áreas de serra da caatinga são muito susceptíveis à erosão hídrica e eólica, favorecendo a remoção dos nutrientes das áreas degradadas o que vai dificultar o crescimento do extrato vegetal. As áreas de maior vulnerabilidade, geralmente são de solos rasos, sem capacidade de retenção de água e com limitações físicas e químicas, que aumentam a degradação. Assim, o solo é um fator principal na degradação dessas áreas. Neste sentido, atribuir a degradação unicamente a ação do homem parece não ser a opção mais adequada. Portanto, um trabalho de conscientização das populações destas áreas de que estes solos em áreas de serra apresentam alta fragilidade para degradação, talvez possa produzir mais resultados do que as punições aos agricultores que cultivam nestas áreas. Temos que mostrar para os agricultores do Sertão nordestino que o desmatamento da vegetação nativa da caatinga para formação de pastagens, principalmente de capim buffel, deve ser acompanhada de práticas agrícolas que possam garantir a preservação dos solos, pois, desprotegidos da vegetação natural, nosso solo em sua maioria, não suportam os efeitos das chuvas que provocam a erosão e sua degradação. Há muitas alternativas, entre elas os trabalhos de raleamento da caatinga que tem possibilitado a criação e manutenção dos animais na caatinga com os mínimos efeitos de degradação. Na fotografia podemos ver uma área de caatinga onde o agricultor desmatou para plantio de capim buffel com parte do solo erodido no município de Betânia do Piauí.

domingo, 4 de setembro de 2011

Irrigação de salvação com água de chuva acumulada em barreiros




A foto

Nesta fotografia podemos observar agricultores irrigando uma plantação de feijão com água de chuva acumulada em um barreiro de irrigação de salvação. A fotografia foi obtida no dia 29 de março de 2003 na Comunidade de Alto do Angico no município de Petrolina, PE.

O fato

Na região semi-árida do Nordeste as chuvas muitas vezes ocorrem em períodos muitos curtos e faltam quando as culturas mais necessitam de umidade no solo. O barreiro de irrigação de salvação é uma alternativa que pode ser utilizada pelos agricultores para armazenar a água da chuva e utilizá-la nos meses de estiagem que ocorrem na região ou para obtenção de um segundo cultivo em anos de muita chuva. Essa alternativa pode contribuir para que os agricultores obtenham sucesso em seus cultivos, visto que, em alguns anos, os agricultores plantam nas primeiras chuvas e quando as culturas estão nas fases de floração e formação de espigas ou vagens, as chuvas não caem e há uma perda total dos cultivos. Na comunidade de Alto do Angico em 2003 choveu um total de 432,8 mm, sendo: 58,4 mm no mês de janeiro; 49,4 mm no mês de fevereiro; 69,4 mm no mês de março; 102,3 mm no mês de abril; 106,7 mm no mês de maio; 10,5 mm no mês de junho; 18,4 mm no mês de novembro e 17,7 mm no mês de dezembro. Nos meses de junho, agosto, setembro e outubro não houve qualquer precipitação na comunidade. Como os agricultores fizeram o plantio com as chuvas que caíram no final de 2002, tiveram que realizar algumas irrigações de salvação no mês de março com água acumulada no barreiro para garantir a produção do feijão de corda.   

As alternativas dos agricultores para captação de água de chuva na caatinga




A foto

Nesta fotografia, podemos observar uma cisterna com área de captação em uma lona de plástico. A fotografia foi obtida na comunidade de Barreiros no dia 09 de fevereiro de 2004 no município de Petrolina, PE.

O fato

Embora o ano de 2011 até o mês de agosto não tenha sido muito promissor para a agricultura de subsistência no Sertão de Pernambuco, visto que, houve uma grande irregularidade no volume das chuvas, ocorreu um total de 472,8 mm no município de Petrolina, PE, sendo 66,2 mm no mês de janeiro; 87,2 mm no mês de fevereiro; 77,5 mm no mês março; 153,4 mm no mês de abril; 74,7 mm no mês de maio; 2,8 mm no mês de junho; 0,5 mm no mês de julho e 10,5 mm no mês de agosto. Essas chuvas se bem aproveitadas pelos agricultores poderiam proporcionar a captação e o armazenamento de até 57.445 litros de água, considerando a área total de uma residência com um telhado de cerâmica de 121,5 m2. Como o coeficiente de escoamento dos telhados de cerâmica é de aproximadamente 65%, isto é, do total de água que cai nas telhas, somente 65% escoa para a cisterna, 37.339 litros teriam sido armazenados nas cisternas. Como de modo geral, as residências possuem apenas uma cisterna, parte dessa água se perderia. Porém, como agora existe a garantia de água dos carros-pipas, que a cada mês abastece as cisternas, poucos agricultores estão preocupados em captar e armazenar toda a água das chuvas. Será que se construindo mais uma cisterna nas residências os agricultores não poderiam aproveitar melhor essa água. O volume de recursos que tem sido gasto com carro-pipa não daria para construção de mais uma cisterna nas residências ou de uma cisterna maior. Na fotografia podemos ver um agricultor que colocou uma lona plástica acima da cisterna para captar o máximo de água das chuvas. Esse sistema é chamado de catadores de água, visto que pode ser desmontado e transportado para outro local.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Açúde, barreiro, barraginha, o que vai amenizar a seca no Sertão do Nordeste


A foto

Nesta fotografia podemos observar um pequeno barreiro com água na caatinga A fotografia foi obtida no dia 22 de maio de 2007 no município de Petrolina, PE.

O fato

Em nenhuma outra região semiárida do mundo, temos um volume de precipitação semelhante ao que ocorre no semiárido brasileiro. São, em média, mais de 700 bilhões de m³ que anualmente caem com as chuvas, mesmo com todas as irregularidades. Todavia, 642 bilhões e 600 milhões de m³ desse total são consumidos pela evapotranspiração que é a forma como a água da superfície terrestre passa para a atmosfera no estado de vapor. Na evapotranspiração estão envolvidos a evaporação da água de superfícies dos rios, lagos, represas, oceano, entre outros, dos solos e da vegetação úmida e a transpiração das plantas, somados a 36 bilhões ou 5,1%, que perde-se por escoamento superficial para os rios, e destes para o mar. Para tentar conter uma parte desses 36 bilhões que se perde por escoamento, foram construídos nos últimos 50 anos mais de 70 mil açudes no Nordeste semiárido que armazenam aproximadamente 30 bilhões de m³ de água. Contudo, a cada ano a população, principalmente, da zona rural ainda sofre bastante com a falta de água. Junto com essa infra-estrutura dos açudes, diversas tecnologias voltadas para a captação e o armazenamento da água de chuva também foram implantadas na região e a seca não se calou. Agora estamos no momento das barraginhas que estão sendo construídas em quase todos os estados do Nordeste. Contudo, no que parecem, as barraginhas não se diferenciam muitos dos velhos açudes da região. Será que quando alcançarmos a marca de 70 mil barraginhas o cenário da seca vai mudar!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Seca e água no Sertão de Pernambuco




A foto

Nesta fotografia podemos observar um barreiro com água na caatinga. A fotografia foi obtida em 20 de julho de 2010 na zona rural do município de Paulistana, PI.

O fato

O grande dilema dos sertanejos é a falta de chuvas. Em anos de irregularidades climáticas a situação dos pequenos agricultores se torna insustentável pela falta de água e alimentos para os animais. Quando chove normalmente há uma oferta abundante de pastagem na caatinga e água nos riachos, açudes e barreiros para suprir as necessidades dos animais, contudo, há anos em que as chuvas não são suficientes para formação de água em açudes e barreiros, como também para formação de pastagens. Em 2010 as chuvas que ocorreram no Sertão não foram boas para a produção de alimentos e nem para formação de pastagens para os animais. Dados meteorológicos observados no Campo Experimental da Caatinga na Embrapa Semiárido, demonstraram que: no mês de janeiro choveu 26,2 mm. No mês de fevereiro choveu 39,2 mm e 119,3 mm no mês de março. Embora esse volume seja considerado bom para as lavouras, as chuvas dos meses seguintes não foram significativas. No mês de maio choveu somente 13,0 mm. Em junho e julho, choveu 24,5 e 22,5, respectivamente. Já em agosto e setembro, choveu apenas 0,4 e 9,6 mm, respectivamente. Em outubro choveu 40,4 mm e em novembro não foi registrada nenhuma precipitação. No mês de dezembro choveu 45,0 mm. Embora o volume total tenha sido de 377,9 mm no ano, a irregularidade na distribuição, principalmente nos meses de fevereiro a abril, não proporcionaram boas colheitas. Em algumas comunidades do Sertão de Pernambuco os agricultores tiveram muita dificuldade para suprir a necessidade de água para os caprinos e ovinos em 2010. No município de Santa Maria da Boa Vista a necessidade de água dos animais foi suprida pelo carro-pipa. Alguns agricultores chegaram a gastar mais de R$ 1.500,00 com carro-pipa para suprir a necessidade de água de um rebanho de 120 cabeças  de caprinos e ovinos nos meses de agosto a dezembro.

sábado, 20 de agosto de 2011

Os inimigos naturais da cochonilha da laranjeira




A foto

Nesta fotografia podemos observar alguns inimigos naturais da cochonilha da laranjeira em ação. A fotografia foi obtida no Campo Experimental da Caatinga na Embrapa Semiárido no município de Petrolina, PE, no dia 18 de agosto de 2011.

O fato

Embora o número de espécies de cochonilhas que atacam a laranjeira seja muito grande, este estas: a Planococcus citri; a cochonilha algodão; a Peryceria purchasi; a icéria; Coccus hesperidium; a lapa da laranjeira; a Ceroplastes sinensi;  a ceroplasto; a Saissetia oleae; a Lepidosaphes becki, entre outras, a Ortezia (Orthezia praelonga) é a que causa os maiores danos as plantas, principalmente as mais jovens. Esta praga suga a seiva das plantas, injetando toxinas que provoca o aparecimento da fumagina (fuligem branca que recobre folhas, frutos e ramos). Seu controle é feito com podas e aplicações de inseticidas. Contudo os inimigos naturais podem contribuir muito no controle desta praga, principalmente as várias espécies de insetos predadores e parasitóides e outros organismos que são inimigos destas espécies de cochonilhas, como bactérias e fungos que lhes causam doenças. Na fotografia podemos observar alguns insetos atacando a cochonilha da laranjeira.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O belo gavião-carijó da caatinga




A foto


Nesta fotografia podemos observar um gavião-carijó. A fotografia foi obtida no dia 16 de agosto de 2011 na Embrapa Semiárido no município de Petrolina, PE.


O fato

O gavião-carijó (Rupornis magnirostris) é uma das mais belas aves de rapina da caatinga nordestina. Essa ave pode chegar a mais de 40 cm de comprimento com uma plumagem belíssima variando de cinza a marrom e um azul escuro. No peito as listas marrons e brancas dão um tom de beleza inigualável. O gavião-carijó alimenta-se de pequenos vertebrados e tudo que consegue caçar quando está com fome. Esta espécie, embora seja a mais abundante do Brasil, não é vista com facilidade. Este gavião também é conhecido pelos nomes de anajé, gavião-indaié, inajé e indaié. Esse exemplar foi observado sobre uma casa de vegetação da Embrapa Semiárido logo após capturar um pequeno pássaro.

Uma jibóia na caatinga de Petrolina, PE



A foto

Nesta fotografia podemos observar uma jibóia atravessando uma estrada na caatinga. A fotografia foi obtida no Campo Experimental da Caatinga na Embrapa Semiárido no município de Petrolina, PE, no dia 17 de agosto de 2011.

O fato

A cobra jibóia (Boa constrictor) é uma das serpentes da caatinga do Nordeste que alcança até 2 metros de comprimento. Embora a jibóia seja predominantemente um animal de hábitos noturnos, ela é avistada sempre durante o dia, principalmente nas primeiras horas da manhã. Entre as serpentes do Nordeste, a jibóia é uma das mais encontradas na caatinga. Sua alimentação é composta de pequenos mamíferos, aves e repteis. Embora seu habitat preferido seja a floresta húmida, a savana, os mangais, a jibóia é encontrada nas áreas  mais secas da caatinga. Este animal não causa risco para os agricultores, contudo pode atacar as criações de galinhas e os caprinos recém nascidos. Quando pega uma presa como um filhote de caprino ou ovino, a jibóia se enrola nela e aperta o animal, até que ele cessa todos os movimentos e engole o animal inteiro. Essa serpente encontra-se em extinção pela ação dos caçadores que consomem sua carne. Esta jibóia foi encontrada as 10:35 horas quando atravessava uma estrada na caatinga.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Os filhotes de sabiá laranjeira no ninho



A foto
Nesta fotografia podemos observar dois pequenos filhotes de sabiá laranjeira em um coqueiro. A fotografia foi obtida em 7 de março de 2003 no município de Petrolina, PE.

O fato
O sabiá laranjeira (Turdus rufiventris) é uma das aves do canto mais bela do Brasil e considerada nossa ave símbolo. Normalmente o sabiá utiliza seu ninho para várias posturas por ano. Todavia, se houver algum problema, tais como, o ataque por cobras, gatos ou outros animais da caatinga, ela abandona o ninho. O sabiá normalmente faz seu ninho em plantas de tronco frondoso o que facilita a subida de animais como gatos, cobras. Esses animais muitas vezes consomem os ovos ou os filhotes do sabiá. O sabiá laranjeira é conhecido como sabiá peito-roxo, sabiá gongá, sabiá vermelha ou sabiá amarelo em varias regiões do Brasil. Os filhotes quando estão próximos a deixar o ninho faz muito barulho o que atrai animais predadores, principalmente os gatos. Quando o sabiá faz o ninho em plantas muito altas como o coqueiro, muitas vezes os filhos caem do ninho e morrem, por isso, talvez ela sempre escolha plantas como goiabeiras, laranjeiras e outras do mesmo porte. Seu ninho é muito bem feito e bastante seguro para os filhotes. A alimentação do sabiá é composta basicamente de insetos, larvas, minhocas e principalmente frutas das mais variadas. Para captura de minhocas, o sabiá fica a espreita em áreas bastante molhadas observando o movimento no solo e quando ver qualquer movimento escava o solo e captura a minhoca.